Super Tubarões

A semana do tubarão! Um especial do Discovery Channel que está no ar desde o ano em que eu nasci. Eu mesmo nunca entendia porque dedicar uma semana inteira a um bicho que, aparentemente, é legal só por ser assassino. Acontece que eu estava enganado. Fortemente. Ano após ano aprendendo algo novo sobre essa superordem aquática, não pude deixar de ficar fascinado por essas criaturas. No post de hoje, no último dia da Semana do Tubarão da Machina, você vai entender porque.

Seria injusto me limitar a apenas um desses peixes carnívoros, principalmente porque cada um tem uma habilidade especial que faz com que eles se destaquem dos outros.

Pense da seguinte maneira, comparando cada animal que eu falar aqui na MiraMachina à um super-herói, os tubarões seriam uma Liga da Justiça, Vingadores ou, até mais apropriadamente, Sociedade Secreta de Supervilões

Super tubarões

Como já falei, os tubarões são uma superordem, especificamente, Selachimorpha. Basicamente a gente classifica os seres vivos em Domínio, Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. Tipo, a classificação do Ser Humano é, em ordem, Eukaryota, Animalia, Chordata (subdivisão Vertebrata), Mammalia (subclasse Eutheria), Primata (subordem Haplorrhini), Hominidae, Homo, Homo Sapiens. Reparou que comentei de Sub-algumas coisas? Existem outros prefixos, como Infra, Parv, Micro, Magno, Miro (olha só) e, obviamente, Super. Eles existem para quando um grupo de organismos podem ser separados ainda mais em uma categoria, como no caso dos clados, que são grupos com um ancestral comum.

Essa micro-aula de biologia foi para dizer que, sendo uma superordem, os tubarões são dividos em mais 13 ordens, sendo 8 vivas e 5 extintas. Para demonstrar como isso é um fato legal, vou dar outro exemplo de superordem: Dinosauria, o clado dos dinossauros.

Isso significa que estamos falando de muitos animais diferentes, mais de 400, sejam eles extintos ou não. Desde um Tubarão-lanterna anão, de 17cm, até um Tubarão-baleia, de 12 metros de comprimento. Desde o Tubarão-martelo, até o serra. Do tigre ao elefante.

Tubarão Baleia

Essas criaturas existem há mais de 420 milhões anos e a espécie extinta mais notável é o Megalodonte, um dos maiores predadores marinhos que já existiu.

O antes mencionado Tubarão-baleia, hoje, o maior peixe conhecido, é um gigante dócil. Sua alimentação consiste de plânctons, macro-algas, krill, pequenos invertebrados e etc. Inclusive, pode-se nadar perto dele sem nem se preocupar. Já nosso querido Megalodonte, conhecido também como tubarão-branco-gigante, estima-se que ele pode ter tido quase 30 metros (contra os 12 do baleia) e sua dieta incluía tartarugas gigantes, lulas, outros tubarões, golfinhos e, incrivelmente, grandes baleias.

Mas voltando às espécies extantes (contrário de extintos), outras dietas notáveis são a do azul que come, come e come até regurgitar, daí ele volta a comer. O Tubarão-branco, o descendente direto do Megalodonte, come 11 toneladas por ano (nós comemos meia) e ele come de tudo: peixe, foca, golfinho, tubarão, pequenas baleias, aves marinhas (eles pulam pra pegar), além de latas, placas, restos de embarcação e outros lixos humanos.

Nenhum deles come seres humanos, não se preocupe. Bem, na verdade, o branco apenas não gosta.

Os superpoderes

Estou repetindo constantemente essa brincadeira com o prefixo super, mas aqui é muito adequado. Além de serem uma superordem, muitos podem ser considerados superpredadores. Isso é um termo científico, que significa que o predador é o topo da cadeia alimentar em seu bioma.

Seus esqueletos são feitos de cartilagem e raramente se calcificam, o que os torna muito mais leves, afinal, cartilagem tem basicamente metade da densidade do osso. Com isso, eles não precisam de uma bexiga natatória para auxiliar no controle de profundidade, tornando-os exímios nadadores. Costumam nadar a 8km/h, mas, se precisarem, chegam a 19km/h. O mais rápido sendo o Tubarão anequim, que costuma nadar a 50km/h, mas pode chegar a 88km/h, fazendo dele o 3º peixe mais rápido do mundo.

Suas pele parece uma lixa feita de pequenas escamas e é grossa, com fibras que formam um padrão semelhante à uma cota de malha. Seus músculos ficam presos nessa armadura corporal, que serve como um esqueleto externo. Ter os músculos ligados assim é extremamente eficiente, pois gasta pouca energia muscular. É o mesmo princípio que torna o beliscão de um caranguejo, uma criatura pequena, tão forte.

Além disso, por se tratar de cartilagem, seu esqueleto é dissolvido no oceano, diminuindo a quantidade de fósseis, tirando a mandíbula.

Os tubarões perdem os dentes facilmente, assim, eles crescem em fileiras e sempre tem um novo esperando quando outro é perdido. Alguns podem trocar 35 mil dentes durante sua vida, o que torna esse fóssil bem comum.

Dentes de Megalodonte foram encontrados pelo mundo inteiro (ao contrário dos outros predadores marinhos, cujos fósseis costumam estar em costas e lagos de alguns continentes) e, até descobrirem que se tratavam de dentes, acreditava-se que eram pedras, devido seu tamanho.

O cérebro de um tubarão se assemelha ao das aves e mamíferos, criaturas, como sabemos bem, muito inteligentes. Se isso é mérito pra seres humanos, para tubarões mais ainda.

Agora, o grande poder desses seres é a eletrorrecepção. Eles têm um orgão sensorial chamado ampola de Lorenzini, que é capaz de detectar campos magnéticos, que todas as coisas vivas produzem. Isso, em conjunto ao seu excelente olfato, audição e linhas laterais, os dá habilidades incríveis, como percepção de mudança de temperatura, corrente e pressão d’água, geolocalização e navegação, devido aos campos eletromagnéticos gerado pela Terra. Os músculos de qualquer criatura produzem carga elétrica, por se tratar de um ambiente salino, tubarões podem senti-las. Um estudo concluiu que tubarões podem sentir 2 pilhas AA à 1,6 km de distância. Lembre-se, seu coração é um músculo.

O famoso tubarão-martelo tem a cara daquele jeito para aumentar a superfície de área e melhorar ainda mais essa habilidade. Junte isso ao fato que ele pode identificar substâncias extremamente diluídas na água, equivalente, por exemplo, a uma gota de sangue em uma piscina olímpica, você acaba de ganhar um dos maiores predadores do mundo.

Existem tubarões que nascem de ovos, tanto ovovivíparos (eclodem dentro da mãe) quanto ovíparos (fora da mãe) e outros são vivíparos (com vínculo placentário, como o nosso). O incrível é que algumas mães tubarões usam o esperma de diversos machos diferentes para garantir a procriação. Mais incrível ainda é que já foram documentados 2 casos de paternogênese, que é quando a fêmea tem um filhote sem contato com um macho.

Alguns tubarões podem ficar invisíveis. O carpete, por exemplo:

Mas esse truque de camuflagem já é manjado. O tubarão barriga de veludo ilumina a barriga, ficando da cor do oceano iluminado pelo sol, visto de baixo para cima. As presas e predadores passam sem sequer nota-lo.

Cansados de dominar os oceanos, algumas espécies são capazes de sobreviver em água doce. Como? Urinando 20x mais que o normal. É mais ou menos como alguns seres humanos se adaptaram para sobreviver em altitudes extremas, a diferença aqui é que seria comparado à um humano sobreviver no espaço ou no fundo do oceano, sem equipamento.

Vamos fazer uma pausa e falar sobre seres humanos. Uma coisa que gosto bastante é quando me aparece um indivíduo e me pergunta “o que eu tenho a ver com ‘trebleble’? ‘Trebleble’ não paga minhas contas, salve os ‘trebleble’s o caramba”. Substitua ‘trebleble’ por qualquer animal, ambiente ou organismo. Pessoas com o pensamento assim são, além de egoístas e individualistas, incapazes de ver o mundo como aprendizado para a própria vida, o que a torna medíocre. O tópico final, então, é:

De que servem os tubarões na nossa vida?

A questão é que o tubarão é uma máquina perfeita. Os mais recentes, como o martelo, datam de 60-65 milhões de anos atrás, ainda na época da extinção dos dinossauros, tanto tempo sem novas evoluções mostra como são eficientes.

Isso os torna uma fonte de inspiração para a engenharia, como, por exemplo, o bioStream:

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Essa barbatana mecânica é capaz de gerar energia a partir da força das correntes submarinas. Energia limpa.

Outra tecnologia inspirada por tubarões que você deve conhecer:

Tão eficiente que não pode mais ser usada.

Obviamente, não vamos descartar a idéia, que tal colocar em outras coisas, como carros?

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Além de fonte de inspiração e estudo, os tubarões são presas humanas. Seja pesca recreativa ou consumo. O mais comum (e mais repudiado) é o Finning, que se trata de retirar a barbatana e descartar o resto do corpo.

Outra forma de consumo é “medicinal”. Ênfase nas aspas, pois estamos falando de medicina alternativa. Existia uma idéia de que tubarões não tinham câncer ou parasitas, teoria que já foi descartada com estudos mostrando que eles são apenas mais resistentes à isso. Certas pessoas começaram a consumir barbatanas como método preventivo ao câncer e à osteosporose (afinal, tubarões não costumam calcificar os ossos). A venda de colágeno de tubarão em farmácias e lojas de produtos naturais é bem comum. Vou repetir: Colágeno extraído de tubarões, que passa por um processo de hidrólise e liofilização, é vendido em lojas de produtos naturais.

Gostaria de sugerir, então, usando a mesma (falta de) lógica, que essas pessoas consumam cérebros humanos. O que você vai conseguir consumindo colágeno assim é engordar. Lindo, nada flácido e redondo.

E por último, se você acha um absurdo comer carne de tubarão, deixa eu te dizer outro nome dado ao bicho: Cação. Sim, assim como chamamos vaca de gado, para o consumo não parecer tão agressivo, usamos o nome cação no lugar de tubarão.

Graças aos seres humanos, 20% dos tubarões estão próximos da extinção. Parabéns.

E é assim que mais uma vez falo de um animal incrível (um grupo inteiro dessa vez) e vemos como nós mesmos somos destrutivos. Pelo menos, com programas e campanhas, as pessoas vão mudando sua forma de pensar. Proibir sopa de barbatana de tubarão na Ásia é como proibir churrasco no Brasil, já faz parte da cultura de forma enraizada, mesmo assim, mudanças estão sendo feitas. Importante olharmos os outros países mudando sua cultura e aprender que podemos fazer isso também, se temos a capacidade de olhar a cultura de comer cachorro na Ásia e achar isso uma barbárie, por exemplo, temos que ter a mesma de olhar para a nossa e encontrar problemas semelhantes.

E é com esse pensamento ambientalista amigável que termino mais um post dessa Machina. O que achou da semana do tubarão? Já bastava o Discovery? Deixe um comentário e compartilhe com os amigos.

Ah, e como sempre pedem, minhas fontes bibliográficas: Science magazine, Discovery, National Geographic, ReefQuest Centre for Shark Research e não, Wikipedia uso apenas como guia, verifico suas fontes para escrever. Que tal a credibilidade dos meus posts agora?

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