Além da Escuridão

Ah, o espaço. A fronteira final. As viagens da nave estelar Enterprise em sua missão de cinco anos para explorar novos mundos, procurar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.

USS_Enterprise-A_quarter

Não faz muito tempo que me descobri fã de Star Trek. Via de vez em quando a Nova Geração com meu pai, mas recentemente, com a ajuda dos novos filmes e da série clássica disponível na Netflix, estou me deliciando com essa fantástica ficção científica de Gene Roddenberry.

Mas não é sobre isso que falarei hoje. Vamos nos concentrar no mais novo filme da franquia, do reboot (realidade alternativa) de J.J. Abrams. Porque eu gostei e porque os reboots tem que aprender com esse filme. A propósito, Spoilers.

O que mais gosto nessa releitura foi a inteligência de ter criado uma linha de tempo alternativa, isso dá ao filme qualidades de um bom remake e belíssimas homenagens a série sem perder a originalidade e inovação. Algumas pessoas podem ver as referências podem ser vistas como uma cópia boba ou preguiça, mas no caso, discordo. Normalmente sou contra esse tipo de coisa, mas estamos falando de Star Trek, da década de 60. Tirando os Trekkies e nerds, existem ainda muitos fãs antigos da série, que estavam órfãos dela. Acredito que as referências colocadas foram para essas pessoas, uma pequena dose de nostalgia bem administrada (diferente do exagero que temos, por exemplo, no facebook, que coloca a foto de qualquer coisa velha pra todo mundo ficar lembrando como nosso paladar era ruim ou como éramos mais felizes num tempo politicamente incorreto). Tudo bem, admito que alguns paralelos traçados foram forçados (khaaaaaan), mas me pareceu que o objetivo tenha sido esse mesmo: traçar um paralelo. Praticamente uma anedota mostrando que no universo Star Trek tudo se reconstrói independente de mudanças drásticas.

startrek-01

O maior acerto em ambos os novos filmes é o casting. Além de fisicamente parecidos, são ótimos atores, tornando os caricatos tripulantes em grandes personagens. Refazer o Capitão Kirk sem se tornar uma imitação barata do William Shatner (que, vamos concordar, não atuava) dá vários pontos para Chris Pine.

Muitos defendem que o Spock apresentado nao consegue controlar suas emoções, o que não bate com sua tradicional personalidade. Acredito que quem defende esse argumento seja Vulcano, pois ignora o fato de que Spock, ainda jovem, além de ver a mãe morrendo em sua frente, presenciou a destruição completa de seu planeta natal. Além da Escuridão ainda faz questão de explicar suas atitudes. Inclusive, é genial o fato de que, no filme, Spock explica porque estava agindo com frieza, enquanto isso, havia uma mensagem implícita explicando ao telespectador do porque ser tão mais emocional que o personagem de Leonard Nimoy.

Benedict_Cumberbatch_looks_sinister_on_new_Star_Trek_Into_Darkness_poster

E a propósito, se você assistir a série, esse argumento de “muito mais emocional que o original” não cola. Várias e várias vezes Spock dá “ataques de periquita”.

E falando em grande atuação e originalidade, Benedict Cumberbatch nos mostra um excelente Khan, com um visual simples, sem nenhum acessório ou peruca, consegue ser grandioso, misterioso e assustador.

O filme é longe de ser perfeito, tem alguns probleminhas que decepcionaram. Alice Eve tirando a roupa, por exemplo. Nada de errado com ela, mas a cena em si não faz sentido nenhum. Ter sido colocada só pelo marketing, visto que a cena é a imagem-chave do trailer no YouTube. Coincidência? Sei.

movies_star-trek-into-darkness

Uma das críticas feitas pelos Trekkies é que o filme tem muita ação, nao para em momento nenhum, o que foge completamente do estilo clássico de Star Trek. Eu devo concordar com esse ponto. Por mais que eu acredite que precisamos acelerar um pouco mais

Porém, ter problemas não faz o filme ser ruim. São problemas superficiais, a essência está ali. Gostaria que todas as franquias clássicas que hollywood insiste em reviver fossem respeitadas, no mínimo, como Star Trek está sendo.
Meus caros amigos Trekkies, pensem na trilogia nova de Star Wars: mesmo sendo escrita e dirigida pela mesma pessoa da trilogia original, foi cheia de problemas de continuidade e ignorou arbitrariamente elementos importantes que engrandeciam a franquia.

Com isso em mente, e falando em Star Wars, aprendemos duas coisas com a visão de J.J. Abrams sobre Star Trek:
Uma boa revitalização tem que ser feita por um fã. Eu sei que J J já havia comentado não gostar muito da série, mas vendo as minuciosidades acrescentadas em ambos os filmes, eu duvido que seus escritores não tenham pelo menos se tornado fãs.
O que nos leva ao segundo aprendizado. As chances do novo Star Wars ser excelente são altamente lógicas.

star-trek-spock1

Se você gostou desse review, não deixe de visitar a MiniMachina. Todo dia tem algo novo e volta e meia aparece um minireview de filme por lá. Vida longa e próspera!

PS. Damon Lindelof, eu te perdôo. Mas por favor, pare de falar de religião.

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