O Retorno do Rei de Todos os Monstros.

Sou fã de filmes de monstros, isso não é novidade. Agora, depois de uma década no japão e 16 anos nos EUA, temos finalmente um novo filme do Godzilla. E para celebrar, estou fazendo a Semana do Godzilla na miniMachina.
O filme estréia hoje, mas graças aos meus amigos do Mundo Blá, tive a oportunidade de assistir a cabine de imprensa e eis o que eu achei:

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Depois do fiasco de 98, tudo apresentado até então convergia para que essa nova versão fosse a que o monstro sempre mereceu.Excelentes efeitos especiais, atuação, direção e fotografia. Mas algo foi estranho.

Acredito que muitos vão desgostar do filme – e, honestamente, darei razão para vários – mas a estranheza não fez dele um filme ruim.

Deixe-me colocar os defeitos já na mesa:

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Embora o roteiro seja interessantíssimo, o andamento e edição prejudicaram bastante. Divido o filme em 3 partes. A primeira meia hora que foi extremamente corrida; a hora central que foi completamente arrastada; é a meia hora final que pagou o filme. Voltarei nesse ponto.

Você vai para o cinema ver o monstro, mas tem ele somente como pano de fundo.
Simpatiza com Joe Brody, o personagem da estrela de Breaking Bad, Bryan Cranston, mas o roteiro corta sua empolgação com ele.

tumblr_m4w4hexB581rw50too1_500O filme é, na verdade, totalmente focado em seu filho, Ford, interpretado por Aaron Taylor-Johnson. Mas isso é colocado de forma muito sutil no começo e, quando você se da conta disso, mais de uma hora de filme já passou. E só aí seus olhos passam a prestar atenção no que está importando para a trama, mas seu cérebro ainda quer Godzilla.

O diretor sabe disso e te provoca. Ameaça mostrar tudo que você quer ver e não mostra. Na primeira vez que isso acontece é bem bacana, na segunda até entendemos a piada. Mas na terceira em diante nós sentimos enganados.

Falando em se sentir enganado, o 3D é dispensável. Ou melhor, deve ser, pois muito se perde com a escuridão e desconforto causado pelos óculos.

Temos 2 monstros além do Godzilla que, embora homenageiem mais ou menos nossa querida borboleta Mothra, a falta de identidade e visual os fizeram completamente genéricos e olvidáveis.

Mas no meio de tanto problema, como gostar do filme e como está sendo tão bem recebido?

O grande triunfo do filme é ser diferente. Não é nada daquilo que esperamos é ao mesmo tempo é 100% fiel aos outros. Grande parte da culpa de demorarmos a entender para onde olhamos foi do marketing, que desenhou o filme em nossas cabeças de uma maneira diferente de como realmente é. Imagino que quem vá sem ter visto nenhum trailer ou spot, vai aproveitar mais.

Assim que seu objetivo é compreendido, passamos a ver as belas metáforas que o filme faz. Imergimos no ambiente dos humanos que estão tendo suas terras retomadas pela natureza. Somos sempre pequenos demais para aquelas criaturas. Não é um filme de ação, como Círculo de Fogo, é um filme-catástrofe com monstros.

Monstros, de 2010 também do diretor desse filme, Gareth Edwards, segue o mesmo formato, o que não é exatamente um defeito. Mas infelizmente, quando você quer ter uma trama focada em personagens, não dá para fazer de forma tão rasa quanto foi feita aqui.

Retomando aquela separação que fiz: Na primeira meia hora corrida tem o desenvolvimento completo de Joe Brody, na hora seguinte, seu filho e personagem principal, Ford, é desenvolvido para fechar a trama na meia hora final relacionando ele ao próprio Godzilla.

Acompanhando Ford, acompanhamos Godzilla. E a interação metafórica humano-monstro é muito bonita.

Sempre vemos os monstros pelos olhos dos humanos, de baixo pra cima ou sobrevoando. Por mais que gostaríamos de vê-los em sua magnitude completa, não conseguimos. São muito maiores que nós e pouco se importam.

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Gostaria que o público lembrasse de Tubarão ao ver o filme. Ele tem o monstro no nome, vemos seu estrago, mas somente no fim aparece direito, para fechar o arco do personagem principal. Godzilla segue exatamente esse caminho e é justamente nossas expectativas que podem estragar essa experiência.

E como foi bom ver um Godzilla digno de toda sua franquia. Seu tamanho, sua força, seus poderes. Não apenas a personificação da força destruidora da natureza, mas da força que traz equilíbrio. Um herói do cinema.

Meu grande conselho é baixar as espectaticas, ter paciência com as provocações e aproveitar uma bela união de filme-catástrofe com o rei de todos os monstros.
Agora o ocidente conhecerá o verdadeiro Godzilla e espero que esta versão volte com a imponência que deixou no final.

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Não deixe de ouvir também o Na Cabine especial Godzilla, que participei com o pessoal do Mundo Blá, e de acompanhar até sábado a Semana do Godzilla na miniMachina. Bom filme e até a próxima!

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