Semana do Tubarão: Quando a ciência para de vender

20120406152207!The_Discovery_Channel_1985cEm 1985 o Discovery Channel foi fundado. Um canal com o objetivo nobre de popularizar ciência e tecnologia para todos, através de documentários e programas educativos.

Mesmo sendo um conteúdo considerado chato para muitas pessoas, principalmente aquelas que não eram da área ou crianças com muito tempo livre, era a TV educativa que funcionava. Crianças estavam vendo sobre natureza, engenharia, ciência…

Em 1988, a companhia criou uma programação especial, para atrair mais telespectadores: A Semana do Tubarão — 7 dias seguidos com especiais sobre um dos seres mais incríveis do nosso planeta.

O conteúdo deu tão certo que passaram-se 26 anos e, todos os anos, temos esse especial. Vinte e seis não é pouca coisa, inclusive, é praticamente minha idade. Desde que me conheço por gente e amante de ciência, o Discovery Channel e sua Semana do Tubarão estavam lá.

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E como eu gostava de ver. Eu era uma das crianças com muito tempo livre na frente da tv. Quando criei um site focado em ciência e tecnologia (e, claro, entretenimento), não resisti em celebrar a semana junto com eles, é por isso que esse é o terceiro ano que faço a Semana do Tubarão aqui na MiraMachina.

Infelizmente, a razão de eu estar contando essa história não é por saudosismo ou propaganda, muito pelo contrário.

Já fazem alguns anos que a programação do canal mudou um pouco de rumo.
Eu não estou falando dos reality shows, afinal, praticamente toda programação americana foi dominada por eles. Até programas com conteúdo simples, sem necessidade do clima de reality, o receberam.

Inclusive, mesmo com alguns problemas, American Chopper foi um programa com grande retorno para o canal e, na minha opinião, bem interessante, mostrando um lado da engenharia que está se perdendo cada vez mais, que é o criativo.

Também não estou falando de terem reduzido a quantidade de programas sobre natureza, pois Os Caçadores de Mitos e outros programas do canal receberam diversos prêmios e são muito bem vistos por educadores.

Fora que o canal cresceu e se dividiu em vários mais especializados, como Home and Health, Turbo, Animal Planet, TLC, etc.

O problema é outro:

Quando a ciência se limita a “Yeah Science!”

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Veja bem, parece contraditório o que vou dizer, dado que tenho um site basicamente sobre curiosidades científicas. Mas estamos num momento que a internet está sobrepondo a televisão (já era hora) e pessoas comuns estão falando de ciência (já era hora). O problema é que muitas dessas pessoas não entendem a ciência em si e acreditam em qualquer porcaria que chamam de ciência.

Especificamente, as últimas Semanas do Tubarão do Discovery Channel.

Ultimamente os programas que passam durante essa semana só exageram as histórias de ataques, concentrando num conteúdo que é bem longe da realidade.

Considerando que desde 1580 houveram menos de 3 mil ataques de tubarão registrados no mundo, sendo apenas 569 fatais (o que dá menos de 2 mortes causadas por ataque de tubarão por ano), tratar tubarões como assassinos, como os programas da semana sugerem, é fazer exatamente o oposto do que o canal propõe.

tumblr_mnxbd9fTOh1qe6vsbo1_500Veja bem, não quero comparar com doenças, assassinatos ou grandes desastres naturais, porque esses são obviamente mais comuns. Estou falando de ser mais fácil morrer com um coco caindo na sua cabeça ou tropeçando do que com um tubarão te atacando. Asfixia autoerótica — procurem no Google se quiserem — mata mais que tubarão.

Mas ainda assim, um bicho com dentes que se recarregam, predadores de mais de 400 milhões de anos, que matam até Urso-polar, fica difícil não focar nesse assunto.

Até que começam a mentir.

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Ano passado televisionaram o “documentário” Megalodon: The Monster Shark Lives, que conta a história de um ataque a um navio na costa da África do Sul, pelo extinto Megalodon. O problema é que a história é ficticia, num canal científico. O aviso de que as imagens, eventos e personagens eram falsos aparecia no começo e no fim do programa durante 3 segundos, enganando uma quantidade absurda de pessoas.

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Estamos falando de pessoas que assistem o canal, ou seja, aquelas crianças com muito tempo na frente da TV!

Pra piorar, esse ano fizeram novos falsos documentários e propagandas sobre ataques que não existiram. Além disso, durante a Semana do Tubarão, o consumo americano de carne de tubarão aumentou — mais uma vez eu repito: Cação = Tubarão.

Ou seja, a chance de ensinar ciência e proteger o meio ambiente, que o canal tinha como motivo de existir, foi jogada fora por um pouco de audiência.

E é por isso que eu insisto, quando verem algo interessante, procurem saber se é verdade ou não. Essa é a grande maravilha da ciência, todos podemos testar e contribuir.

Quanto aos tubarões, vamos continuar protegendo, pois a falta deles pode trazer mais problemas do que já temos. Várias ONGs e grupos têm programas de proteção que você pode ajudar ou doar. Até ano que vem, com mais uma Semana do Tubarão da Mira Machina!

happy shark

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